A investigação da Operação La Máquina revelou como o Comando Vermelho (CV)usava aviões e estruturou uma rota aérea para transportar drogas do Amazonas para outras regiões do país. O esquema reunia aviões de pequeno porte, pilotos, pistas clandestinas, combustível e equipes de manutenção.
Deflagrada nesta quinta-feira (13), a operação reuniu a Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Ao todo, as equipes cumpriram 43 mandados judiciais em oito estados. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões e o sequestro de bens ligados aos investigados.
CV usava aviões e pistas formavam rota do tráfico
Segundo a investigação, o CV usava aviões para o tráfico de droga e dividia as funções para manter a logística aérea em funcionamento. Dessa forma, cada integrante atuava em uma etapa do transporte das drogas.
- Pilotos conduziam as aeronaves;
- Aviões de pequeno porte faziam os deslocamentos;
- Pistas clandestinas recebiam os voos;
- Áreas remotas armazenavam combustível;
- Equipes de manutenção cuidavam das aeronaves;
- Outros integrantes cuidavam do armazenamento e distribuição das drogas.
Além da estrutura aérea, o grupo utilizava rotas fluviais e terrestres. Assim, conseguia movimentar os entorpecentes por diferentes caminhos antes de enviá-los para outros estados.
Pistas clandestinas ficam no interior do AM
O monitoramento de pistas clandestinas no interior do Amazonas ajudou os investigadores a avançar na apuração.
Durante a operação, a Justiça determinou a destruição de duas pistas apontadas como pontos de apoio do grupo. Uma fica em Tefé e outra em Presidente Figueiredo.
Segundo os investigadores, esses locais permitiam que a organização realizasse pousos e decolagens em áreas afastadas. Com isso, o grupo buscava dificultar a fiscalização das aeronaves.
Aeronaves também entraram no radar
A investigação identificou episódios envolvendo aeronaves supostamente ligadas ao esquema.
Em Tefé, por exemplo, agentes interceptaram uma aeronave durante uma ação policial. Além disso, outra aeronave desapareceu durante um voo nas proximidades da fronteira com a Venezuela, em circunstâncias compatíveis com um acidente aeronáutico.
Os investigadores também encontraram indícios de adulteração na identificação de aeronaves. A prática poderia dificultar a fiscalização e esconder a ligação dos aviões com a organização.
Grupo movimentou mais de R$ 35 milhões
A Operação La Máquina também avançou sobre o dinheiro movimentado pelo grupo. Segundo a investigação, pessoas físicas e empresas relacionadas aos investigados movimentaram mais de R$ 35 milhões.
Os valores chamaram a atenção porque não seriam compatíveis com as atividades econômicas declaradas pelos envolvidos.
Para movimentar os recursos, a organização teria utilizado diferentes mecanismos, entre eles:
- Empresas de fachada;
- Transferências fracionadas;
- Pessoas interpostas;
- Compra de imóveis e veículos;
- Aquisição de embarcações e empreendimentos comerciais.
Dessa maneira, segundo os investigadores, o grupo tentava ocultar a origem do dinheiro e dar aparência legal aos recursos obtidos com o tráfico.
Operação atinge patrimônio do grupo
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou medidas para atingir diretamente o patrimônio relacionado aos investigados.
As equipes sequestraram 31 veículos, avaliados em aproximadamente R$ 3 milhões. Também atingiram dois centros comerciais em Manaus.
Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros.
Com essas medidas, os investigadores buscam reduzir a capacidade financeira da organização. Por isso, o bloqueio dos recursos também faz parte da estratégia para impedir o financiamento de novas atividades criminosas.
Operação chega a oito estados
A Justiça autorizou 13 prisões preventivas, quatro medidas cautelares e 26 mandados de busca e apreensão.
As equipes cumpriram as ordens no Amazonas, Tocantins, Roraima, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Santa Catarina.
Ao todo, mais de 100 policiais federais e integrantes do Gaeco participaram da ofensiva. Até o momento, dez pessoas foram presas.
Por que o nome La Máquina?
O nome da operação surgiu de uma expressão encontrada nas comunicações investigadas.
Segundo os órgãos responsáveis, “La Máquina” era usada pelo grupo para se referir às aeronaves utilizadas nos chamados “fretes” de drogas.
Assim, o nome faz referência justamente a uma das principais ferramentas utilizadas pela organização para movimentar os entorpecentes.
Investigação continua
Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais.
No entanto, a investigação ainda não terminou. A Polícia Federal e o Gaeco continuam analisando documentos, equipamentos e outros materiais recolhidos durante a operação.
Com o avanço dessa análise, novos envolvidos, rotas, bens e possíveis crimes podem aparecer.




