quinta-feira, 16, julho, 2026

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Viúva denuncia que policial plantou arma e drogas para incriminar comerciante morto em Manaus

Ainda vestindo a blusa manchada com o sangue do marido, Bruna aguardava na porta da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), na manhã desta quinta-feira (16), não apenas para liberar o corpo de William Kramer para o sepultamento, mas também para pedir que o crime seja investigado com rigor.

William, comerciante e proprietário de um bar no Conjunto João Paulo II, bairro Nova Cidade, zona Norte de Manaus, foi morto a tiros durante a madrugada após intervir, segundo a viúva e testemunhas, em uma discussão em que uma mulher estaria sendo agredida pelo próprio companheiro, um policial militar.

De acordo com o relato de Bruna, o estabelecimento já havia encerrado o expediente quando William conversava com um amigo, identificado como Sandro. Os dois ouviram os pedidos de socorro da mulher e, apesar de o amigo aconselhar que não se envolvesse, William decidiu tentar acalmar a situação.

Segundo a esposa da vítima, o comerciante teria se aproximado e dito ao policial: “Por que o senhor está batendo na sua esposa? Bora conversar”. A reação, conforme o relato, foi imediata. O militar teria respondido que era “Tranca-Rua” e questionado se William iria “mexer com a autoridade”. Em seguida, sacou a arma e efetuou diversos disparos.

Sandro foi atingido de raspão e conseguiu arrastar William para dentro do bar. Ainda assim, conforme a denúncia, o policial entrou no estabelecimento e continuou atirando contra o comerciante, que morreu no local.

Viúva denuncia tentativa de forjar a cena do crime

Além da morte do marido, Bruna afirma que o policial tentou alterar a cena do crime para incriminar a vítima.

Segundo a denúncia, o militar teria levado uma bolsa contendo drogas e um simulacro de arma de fogo para dentro do bar, com o objetivo de criar a falsa impressão de que William estaria envolvido em um assalto ou em atividade criminosa.

A viúva também afirma que a esposa do policial, que inicialmente pedia socorro durante as agressões, mudou sua versão ao prestar depoimento à polícia, alegando que o militar teria agido em legítima defesa.

Imagens podem esclarecer o caso

Outro ponto destacado pela família é que o suspeito teria retirado o chip do sistema de monitoramento do estabelecimento. No entanto, segundo Bruna, as imagens são enviadas automaticamente para o celular de William por meio de armazenamento remoto.

A expectativa da família é de que as gravações ajudem a esclarecer toda a dinâmica do crime e comprovem que o comerciante apenas tentou impedir uma agressão.

Família relata medo de intimidação

Enquanto aguardava atendimento na DEHS, Bruna afirma ter recebido a informação de que viaturas da Polícia Militar estavam em frente à residência de sua avó.

Segundo ela, os policiais informaram que atendiam a uma denúncia sobre motocicletas roubadas no local. A viúva, porém, nega qualquer irregularidade e afirma que todos os veículos da família possuem documentação.

Para Bruna, a presença das viaturas foi interpretada como uma tentativa de intimidação.

“Eu só quero que ele vá preso e deixe a minha vida em paz. Que não venha querer me coagir, me amedrontar. Agora vou ter que me mudar da minha casa com medo”, desabafou.

Pedido por justiça

William havia inaugurado o bar há cerca de dois meses e, segundo familiares e moradores da região, era conhecido como um homem trabalhador, pacífico e sem antecedentes criminais.

Em meio à dor da perda, Bruna faz um apelo para que o caso seja investigado de forma imparcial e que os responsáveis sejam responsabilizados.

“Meu marido era um pai de família, era trabalhador, não mexia com ninguém. Onde vocês forem, vão falar bem dele. Eu só quero justiça, gente, só isso.”

O caso é investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Até o momento, a Polícia Militar não havia divulgado posicionamento oficial sobre as acusações apresentadas pela família da vítima.