Leonardo Alves de Araújo, conhecido como Leonardo Avalanche, candidato a vice-presidente na chapa do PRTB que tem Pablo Marçal como candidato à Presidência da República, é acusado pelo Ministério Público Eleitoral de envolvimento em um esquema que teria incluído associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas da Justiça Eleitoral, violência política de gênero, ameaça e constrangimento ilegal.
Além de Avalanche, outras seis pessoas são alvo da ação, que tramita sob sigilo na Justiça Eleitoral. Segundo documentos aos quais o SBT News teve acesso, o Ministério Público aponta o dirigente como “mentor intelectual e principal beneficiário” de uma articulação que teria envolvido falsificação de documentos, filiações fraudulentas, cobrança irregular de valores e ameaças contra integrantes do partido.
De acordo com a acusação, o grupo teria atuado com o objetivo de assumir o controle nacional do PRTB e afastar adversários internos. Os fatos investigados teriam ocorrido entre fevereiro e abril de 2024, período em que Avalanche disputava o comando da legenda, da qual permanece como presidente.
A denúncia aponta que uma das primeiras etapas do suposto esquema teria ocorrido durante a própria eleição interna do partido. Segundo o Ministério Público, Avalanche teria articulado com outra pessoa o recrutamento de aproximadamente 20 a 35 indivíduos para que se apresentassem como fundadores do PRTB durante a votação.
Os envolvidos teriam recebido documentos de identidade falsificados que mantinham as fotografias dos participantes, mas utilizavam dados pessoais pertencentes a fundadores verdadeiros da legenda. Conforme a acusação, essas pessoas também teriam sido orientadas a reproduzir assinaturas e memorizar informações para evitar que a fraude fosse descoberta durante a fiscalização da eleição interna.
Após conquistar o comando do partido, Avalanche teria iniciado uma ofensiva contra integrantes ligados a Rachel de Carvalho, que ocupava o cargo de vice-presidente nacional do PRTB. Segundo o Ministério Público, a estratégia teria como finalidade ampliar o controle sobre a legenda e afastar grupos considerados adversários.
A denúncia também menciona uma suposta tentativa de transformar cargos e candidaturas do partido em fonte de arrecadação. O documento utiliza a expressão “mercantilização de cargos e candidaturas” ao descrever a dinâmica que teria sido pretendida pelos envolvidos.
Ainda segundo a acusação, Leonardo Avalanche teria tentado convencer Rachel de Carvalho a participar de um esquema para cobrar dinheiro de prefeitos filiados ao partido. A dirigente teria recusado a proposta.
Após a negativa, conforme o Ministério Público Eleitoral, Rachel teria sido alvo de ataques de caráter misógino. A acusação considera que a conduta faria parte de um conjunto de ações destinadas a pressionar e enfraquecer adversários internos.
O processo tramita em sigilo na Justiça Eleitoral e reúne acusações que ainda serão analisadas pelas autoridades competentes. A existência da denúncia não representa, por si só, uma condenação, e os acusados terão direito à defesa e ao contraditório ao longo da tramitação do caso.
A investigação coloca sob questionamento a disputa pelo comando do PRTB em 2024 e envolve acusações de práticas que, caso comprovadas, poderiam ter interferido na organização interna da legenda e na definição de seus dirigentes e candidaturas.
