segunda-feira, 19, janeiro, 2026

adm.portalatualizado@gmail.com
(92)98474-9643

Investigado por estupro, Pai de Santo teria simulado incorporação de ” Zé Pilintra ” para abusar sexualmente de mulheres

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura uma série de denúncias graves contra Leandro Mota Pereira, conhecido como Pai Leandro de Oxossi, líder de um terreiro de umbanda em Sobradinho (DF). Ele é suspeito de abusar da fé de mulheres vulneráveis ao fingir incorporações espirituais como justificativa para cometer abusos físicos, psicológicos e sexuais.

As investigações apontam que, entre maio de 2024 e junho de 2025, pelo menos cinco mulheres — com idades entre 17 e 30 anos — teriam sido vítimas do suposto pai de santo. De acordo com relatos obtidos pela coluna Na Mira, Leandro teria criado um ambiente de acolhimento emocional e espiritual para atrair mulheres em situação de fragilidade, como luto, depressão ou busca por proteção espiritual.

Conforme os depoimentos, ele as convidava para passar fins de semana na propriedade rural onde funciona o terreiro. Lá, oferecia bebidas como chás e sucos que deixavam as vítimas sonolentas, desorientadas ou inconscientes. As mulheres relataram acordar com cólicas, sangramentos e, em alguns casos, com o próprio pai de santo nu ao lado delas.

Um dos casos mais alarmantes envolve uma adolescente de 17 anos, filha de uma frequentadora do local. Ela relatou ter sido drogada diversas vezes e acordado com o suspeito deitado sobre seu corpo. Quando tentou reagir, teve a boca tampada por ele. Depois, foi ameaçada: Leandro teria dito que lançaria feitiços para matar seu irmão caso ela contasse algo a alguém.

Silêncio imposto por medo e chantagem

Além das ameaças espirituais, o suposto pai de santo também impunha o silêncio por meio de chantagens emocionais, extorsões e até violência física. Em outro caso, uma das vítimas — que buscava auxílio espiritual após um término traumático — foi seduzida por mensagens enviadas via WhatsApp. O teor das mensagens era claro: “Vamos começar a transar, ninguém vai ver.”

Segundo a jovem, ele a obrigou a manter relações sexuais tanto em sua loja de artigos religiosos quanto em sua casa, durante semanas. O abuso não parava por aí. Leandro teria ameaçado a vítima dizendo que havia hackeado seu celular e monitorava suas conversas. Em uma ocasião, amarrou suas mãos e a espancou com um cinto. A mulher, temendo por sua segurança, mudou de cidade e trocou de número de telefone.

A estratégia de Leandro incluía o uso recorrente da entidade Zé Pilintra como escudo para seus atos. As vítimas contaram que, durante os supostos rituais de incorporação, ele dizia ouvir ordens do “Seu Zé”, que supostamente exigia relações sexuais com o líder do terreiro. “O Zé já me falou que você quer”, sussurrava ele antes dos abusos.

Apesar da gravidade dos relatos, o investigado nega todas as acusações. Em nota enviada à imprensa, Leandro afirma que jamais manteve relações sexuais com qualquer frequentadora do terreiro, tampouco dopou alguém. “Nunca fiquei sozinho com nenhuma mulher na loja ou no terreiro. Sempre estou acompanhado da minha esposa ou de filhos de santo antigos”, declarou.

A PCDF continua ouvindo testemunhas e reunindo provas. O caso levanta um alerta importante sobre a vulnerabilidade de fiéis em ambientes religiosos e a necessidade de acompanhamento rigoroso por parte das autoridades em práticas que envolvem manipulação espiritual.

*Entrevista concebida pelo colonista do Jornal Metrópoles*

*Informações do Forum*