quarta-feira, 13, maio, 2026

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Delegado do AM é um dos presos em operação da PF por sequestro e tortura em RR

O delegado Adriano Felix, da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (22), suspeito de participar do sequestro e tortura de um homem em Caracaraí, Roraima. A prisão ocorreu durante a deflagração da Operação Jeremias 22:17.

Além do delegado do Amazonas preso, os agentes prenderam o investigador Álvaro Tiburcio, também da PC-AM, uma vereadora que atua como policial civil em Roraima, e um policial militar do mesmo estado.

Em nota, a PC-AM informou que está ciente da operação da Polícia Federal e se colocou à disposição para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos necessários.

A operação cumpre sete mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em cinco estados: Roraima, Amazonas, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Segundo as investigações, Adriano Felix e outros policiais ligados à segurança pública do Amazonas e Roraima sequestraram e torturaram um suspeito para obter informações sobre o destino de uma carga de cassiterita supostamente roubada. Policiais de Roraima também teriam participado da ação criminosa.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo formou uma organização criminosa que atuava na escolta de cargas de minério extraídas ilegalmente da Terra Indígena Yanomami.

Os suspeitos também prestavam serviços de segurança privada clandestinos e investigavam por conta própria roubos de carga, sem autorização do Estado.

O crime ocorreu no dia 8 de fevereiro de 2023, na vicinal 3, em Caracaraí. A vítima trabalhava com o pai em um terreno quando três homens chegaram em um carro, se identificaram como policiais civis e o convenceram a acompanhá-los de moto até outra área.

No local, os criminosos algemaram o homem, deram tapas e choques elétricos, e ameaçaram incendiar a moto dele caso não colaborasse.

Durante o trajeto até outras cidades, como Iracema e Mucajaí, os suspeitos pressionaram a vítima para revelar o paradeiro de um caminhão graneleiro que teria sido furtado com a carga de cassiterita. No fim, os agressores libertaram o homem e lhe deram R$ 60 para que ele voltasse de ônibus a Caracaraí.

O nome da operação faz referência ao versículo bíblico Jeremias 22:17, que menciona a prática da violência e opressão com as próprias mãos.

As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Estadual de Roraima, com base nas investigações iniciadas pela Promotoria de Justiça de Caracaraí.