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Quantas mortes por COVID-19 teríamos registradas se a orientação de isolamento vertical de Bolsonaro tivesse sido colocada em prática?

Por Antônio Rosa Junior [email protected]

Por Antonio Rosa 30/04/2020 às 15:57:42

Na noite de 24 de março, através de pronunciamento em rede nacional, Bolsonaro claramente desqualificou a gravidade da situação de enfrentamento à pandemia do coronavírus. Dentre outras sandices ditas, as duas piores foram quando chamou o vírus de "gripezinha", bem como questionou os motivos das escolas e comércio estarem fechados por atos de governadores e prefeitos. As alegações feitas por Bolsonaro são graves e atentaram diretamente contra a vida e a saúde da coletividade brasileira. Bolsonaro defendeu o tal isolamento vertical, tese que, até o presente momento, não apresenta concretude científica alguma. Em resumo, a estúpida tese do isolamento vertical fala o seguinte: isolam-se, tão somente, os grupos de risco. As demais pessoas, poderiam seguir normalmente suas vidas, ficando livres para trabalhar, estudar e desempenhar as mais diversas atividades. Obviamente, após o exercício das ditas atividades, as pessoas retornariam certamente para seus lares. Não obstante, adivinhem o que iria ocorrer? Óbvio, né? Elas se contaminariam e transmitiriam o vírus a seus familiares do grupo de risco que estariam em isolamento vertical. Absurdo, contudo, esse era e é o procedimento defendido por Bolsonaro. Fico aqui pensando em como essa tese de isolamento poderia funcionar no Brasil, posto que se tem evidências de que a mesma só seria viável em caso de testagem em massa. Sabemos que faltam testes de norte a sul de nosso país. Isso é visível. Logo, só por isso, o isolamento vertical já não poderia ter qualquer sustentação. Mas, o fato que mais impressiona é presenciar um líder de uma nação defender práticas reconhecidamente perigosas à saúde da coletividade. Sim. Bolsonaro, desde sempre, pedia a abertura total do comércio e escolas. Pergunta feita por ele em rede nacional: "Por que as escolas estão fechadas?" Bolsonaro pedia e pede, em resumo, que voltemos à vida normalmente. Pensem sobre isso. Não consigo compreender a verdadeira intenção de Bolsonaro. Medo de quebra econômica? Pode ser, todavia, é preciso que se avise ao presidente que não só a economia brasileira sofrerá, mas a mundial da mesma forma. Então, fazendo as escolhas certas, é muito possível uma retomada econômica após o afastamento do risco da pandemia. Mas, só poderemos retomar algo se estivermos com vida. Exato. Se estivermos mortos ou perdermos mais pessoas queridas, a alavancagem econômica será inviável. Primeiro, é necessária a defesa da vida dos brasileiros, fato que Bolsonaro parece não entender. E digo mais. Não sei se já fizeram, contudo, lembro que o discurso de Bolsonaro, quando defendeu a abertura do comércio e a prática de isolamento vertical, pode e deve ser averiguado pela procuradoria do Tribunal Penal Internacional, nos termos do art. 15 do Estatuto de Roma (promulgado, no Brasil, através do Decreto 4388 de 25/9/2002), ante à clara evidência de possível cometimento de crime de genocídio, conforme combinação das alíneas "b" e "c" do artigo 6º, também do Estatuto. É urgente que se adotem medidas contra as sandices e impropérios ditos e feitos diariamente por Bolsonaro. Hoje, temos mais de 5.500 vidas ceifadas em todo o território nacional, ao passo que também se tem praticamente certeza que esse número está bem abaixo da realidade, posto que muitos morreram sem o teste para verificação do coronavírus. Sabe-se lá qual seria atualmente o número de mortes se a insana ideia de isolamento vertical de Bolsonaro tivesse sido colocada em prática. 30.000? 50.000? 300.000? Não temos certeza da exatidão, mas seria extremamente maior do que os atuais 5.500 casos. Sabemos que, enquanto a ciência trabalha diuturnamente para encontrar respostas para o enfrentamento do vírus, a única solução viável é o isolamento social nos termos como tem sido feito nos estados brasileiros e em diversos lugares do mundo (a exemplo da Itália e EUA). Não há outra saída no momento. Portanto, fiquem em casa e não deem valor ao discurso de um presidente que há poucos dias disse não ser coveiro e que nada poderia fazer em relação às mortes ocorridas, pasmem, no país que ele deveria liderar. Vejam bem. Essas, em resumo, foram as palavras do chefe de estado brasileiro no momento de maior crise de saúde da história do país. Cuidemos de nossas famílias, pois o governo federal pouco se importa. Continuemos na luta!

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