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Sociedade

A exoneração do Ministro da Saúde e o absolutismo tupiniquim de Bolsonaro

Por Antônio Rosa Junior [email protected]

Por Antonio Rosa 16/04/2020 às 17:07:25

Na tarde de hoje (16/4/2020), a mídia noticia que o Brasil passa de 30.000 casos, somando mais de 1900 mortes em virtude da conhecida pandemia do coronavírus. O Brasil naufraga na maior crise de saúde da história e, ao mesmo tempo, o Presidente da República tão somente faz política, preocupando-se com uma suposta reeleição em 2022. Sem maiores explicações e justificativas, Bolsonaro exonerou o Ministro da Saúde. Adotou tal medida por não conseguir conviver com o fato de que o Ministro tomou para si o protagonismo da luta nacional contra o coronavírus. A bem da verdade, fosse o Ministro da Saúde (agora, ex-ministro) um insano e irresponsável, teria mantido seu cargo. A solução seria fácil, Ministro: era somente ter adotado a tese do inábil e lunático presidente brasileiro e apoiado a flexibilização do isolamento social. Era simples, Ministro, posto que se tivesse seguido e concordado com as sandices ditas de forma pública por Bolsonaro, ainda estaria no cargo. Contudo, sabemos que, de forma corajosa, o técnico Ministro da Saúde resolveu seguir a ciência, as orientações da Organização Mundial da Saúde – OMS e as práticas adotadas em todos os países que estão assolados com a pandemia. Ao seguir a ciência e apoiar o isolamento, Luiz Henrique Mandetta, contribuiu para a preservação de milhares de vidas. Em outras palavras, o Ministro salvou a vida de avós, avôs, pais, mães, irmãos e filhos. Enfim, permito-me dizer que o ministro salvou a minha vida e a sua, nobre leitor. Todavia, ao adotar opinião técnica e avalizada pela ciência mundial, o Ministro recebeu como prêmio, de forma inusitada, a exoneração. Mais um ato descabido do presidente da República, o qual ainda não percebeu que a campanha eleitoral já passou e que ele deveria liderar a nação. Bolsonaro erra por ação e omissão. Uma lástima que, numa crise de saúde de tamanha grandiosidade, tenhamos uma pessoa de reconhecida inabilidade no comando da nação. Bolsonaro não merece o cargo que ocupa. Uma pena não podermos convocar manifestações em defesa da saúde de nossa coletividade, uma vez que a exoneração do Ministro da Saúde significa um claro golpe na luta contra a pandemia. Basta não concordar com as diversas opiniões absurdas e sem base técnica emitidas por Bolsonaro que o destino estará traçado, se for Ministro: a exoneração. O presidente exonerou o Ministro sem qualquer explicação razoável, mesmo que todos saibamos da desnecessidade de motivação do ato, tendo em vista a prerrogativa constitucional existente. Todavia, como já disse poucos dias atrás, o ato padece de problemáticas em um de seus elementos, a saber: a finalidade, posto que foi elaborado de forma atentatória ao interesse público. Cabe, portanto, o controle do ato por meio do Supremo Tribunal Federal. A exoneração, por óbvio, não foi motivada de forma expressa, mas, na verdade, todos sabemos que a tal medida adveio por conta das ações do Ministro da Saúde em defesa do isolamento social. Bolsonaro, dessa forma, age contra o povo, em clara medida originada de um mandatário que pouco se preocupa com a manutenção de vidas. Seria Bolsonaro um antiquado comandante absolutista? Com certeza, mas numa versão tupiniquim, negando a ciência maciçamente e tão somente pautando suas políticas públicas em meras confusões via redes sociais. Oremos, pois é o que nos resta, porém tenhamos força e sigamos na luta!

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